segunda-feira, 27 de abril de 2009

HERÓIS

“Quanto a mim, a minha opinião é esta: no mundo inteligível, a idéia do bem é a última a ser apreendida, e com dificuldade, mas não se pode apreendê-la sem concluir que ela é a causa de tudo o que de reto e belo existe em todas as coisas.”
Platão, A República (livro VII)

Aos que encontram algum tempo para perder em frente à TV, vivemos imersos em um universo de heróis, temos heróis de todos os tipos, os que voam os que congelam os que possuem garras, os que são invulneráveis. Todos heróis! Aqueles mais próximos de um ser humano, geralmente possuem alguma habilidade intelectual excepcional ou, então, treinaram seus corpos desde tenra idade quando uma desgraça se abateu sobre a família, ou alguma coisa parecida.

Mas, me deixem dizer-lhes que isso nada mais é do que um avanço tecnológico da parede da "caverna de Platão”¹ que, assim como sua antepassada, também esconde as maravilhas da realidade que está logo ali, do lado de fora daquele buraco escuro e mal iluminado – aliás, esse mito da caverna talvez seja a mais importante lição que podemos ter e passar para nossos descendentes nesses tempos de mídia farta, mas deixemos isso para outra hora.

Nosso mundo, ao contrário das ladainhas dos pessimistas, possui heróis de verdade, heróis que se posicionam nas mais diferentes esferas da sociedade e, dentro dos limites que lhes são impostos, promovem belíssimos atos de bravura e heroísmo sejam eles sociais ou humanitários.

Há pouco tempo presenciamos algumas ações que marejaram os olhos de muitos, ações de vários anjos de Santa Catarina que, mesmo tendo perdido tudo e até a família, lutavam e sacrificavam-se para trazer algum alento aos sobreviventes daquela catástrofe, diga-se de passagem, uma catástrofe anunciada, mas não cabe aqui esse assunto.

Oh! Sim, claro que também presenciamos os vilões naquele mesmo lugar, mas a triste verdade é que onde existem heróis, AINDA existem vilões, e vice-versa, felizmente!

No dia-a-dia de nossas vidas, os heróis passam por nós com a humildade dos santos e a coragem dos justos, deixando atrás de si, atos magnânimos carregados de altruísmo e amor ao próximo, sem que sequer percebamos isso.
São vários os lugares em várias cidades do nosso País e do mundo onde, à noite, aparecem poucos milhares desses heróis que ajudam o próximo sem nada pedir em troca, levando um cobertor, ou uma sopa quente, um chocolate, um café com pão ou uma palavra de alento aos muitos milhões de desabrigados que todas as grandes cidades em todo o planeta escondem em suas vielas mais escuras, às vezes, muitas vezes, à própria luz do dia, ao relento da desatenção dos humanos comuns e do descaso dos políticos comuns demais. Heróis que, em equipe, como fossem uma liga, lutam e afastam, mesmo que momentaneamente, a vilania da miséria de corações desesperançosos mas que, naqueles breves momentos, conseguem sorrir como que vislumbrando um mundo melhor com gente melhor.

Mas não veja somente esse time de semideuses como o que temos de heróis entre nós! Essa “liga” é maior, muito maior do que você e eu conseguimos supor.

O bombeiro(a) que, muitas vezes se arrisca para salvar uma pessoa seja um pai, um velho avô ou uma pequena neta, esse se desfaz da necessidade básica do homem de sobreviver, em prol de terceiros. Esses são heróis sempre, quase sempre.

O professor(a) que se dedica diuturnamente para ter a melhor aula ou, ao menos, uma boa aula para ministrar aos seus alunos que, em muitos fins-de-semana, envolvidos em papéis de provas e livros, deixa de estar com sua família para corrigir provas ou prepará-las a contento de sua educação, esse é um herói, e um herói cujos feitos estão no presente, deixando marcas indeléveis para o futuro, o futuro de toda uma sociedade e algumas vezes - como no fundo bem sabemos -, o futuro de todo o planeta.

A enfermeira(o) que corre para aplicar aquela última dose de um determinado medicamento, acaba salvando a vida de um avô querido, um neto muito amado ou uma mãe cuja família reza pela volta ao lar. Esse também é um herói. Daqueles que salvam vidas!

O policial – Oh! Sim, sim, existem muitos que são assim! – que, tentando evitar um número maior de crianças e jovens desgraçados pelas drogas, arriscam suas vidas, seja policiando locais pouco confiáveis, seja enfrentando a fúria dos vilões que se locupletam com esse câncer social e se entrincheiram nas comunidades carentes por todo o nosso País, agindo como capatazes de “senhores de moral ilibada”, que vivem de mentiras no meio da sociedade que, pouco a pouco, vai-lhes conhecendo a máscara suja. Esses policiais também são heróis! E rezo todos os dias para que seu número aumente como se fossem eles um “multi-homem capaz de se multiplicar em infinitas cópias por todo o território nacional e pelas outras terras, também”. Esse é daqueles que arriscam a própria vida, do tipo mais para humano, mas que sabe seu valor.

E os religiosos? Em número desconhecido – sempre maior do que nós, pobres mortais, podemos imaginar – esses “soldados de Deus” têm para si uma das mais árduas tarefas que a “liga” propõe-se a combater, a de lutar contra o vazio, contra a total desesperança, contra o medo que nos acomete na hora de irmos para algum lugar, “aquele” lugar, qualquer lugar que seja esse. Esses heróis, não medem esforços, não se dobram frente à galhofa, não fraquejam em seu intento, pois sabem que são um grupo especial dentro dessa enorme “liga” que, talvez agora, você consiga vislumbrar. Esses também são heróis, daqueles que salvam, talvez, mais do que simples vidas, talvez, quem sabe, talvez salvem existências.

Existem muitos outros heróis, muitos outros. Heróis de um tipo mais que especial, daquele tipo de pessoas que fazem seus trabalhos com dedicação, esmero e afinco, pessoas que, sem nada mais receber senão o salário acordado, sem mesmo pedir algo a mais em troca, dedicam-se às suas atividades com a viva vontade de fazer melhor, com o desejo de, no final do dia ou de um trabalho ou de um projeto, poderem olhar-se com inconfundível e merecida vaidade - aquela de saber ter feito o seu melhor de verdade... Não se iluda essas pessoas, semideuses, não são tão raras assim, elas estão ao nosso redor, geralmente, sem que saibamos disso.

Mas, como disse antes e como não poderia deixar de ser, entre nós, tanto quanto existem heróis, existem vilões e, como toda história de aventuras que se preza, o número desses é sempre maior e nos faz, infantilmente, acreditar que podem dominar o mundo - mas esse nosso mundo tem heróis e precisa de mais heróis.


Então? Está esperando o que?



Até a próxima!

José Vasconcellos

¹ - http://pt.wikipedia.org/wiki/Mito_da_caverna

PS.: Obrigado pela inspiração, Ash Ketchum!




0 comentários: