sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Os anjos e os demônios de SC

A Natureza – essa mãe rígida e amorosa – cobra, de tempos em tempos a ordem de seus filhos. Seja no Ocidente ou no Oriente, seja no Leste ou no Oeste, a Natureza, vez por outra, se apresenta nervosa, irritada e faz o que faz e faz com que nos sintamos pequenos, frente seu poder.

É assim na seca, é assim nas chuvas, é assim nas chamas ou nos ventos, a Natureza sempre cobra de seus filhos alguma coisa que, às vezes, eles mesmos não conseguem entender, coisa de criança que está crescendo e tentando aprender, coisa da espécie que, apesar de integrantes tão distantes entre si, tenta evoluir.

O Brasil está perplexo e doído assistindo, em grande parte impotente, um exemplo desses em Santa Catarina. E lá, que os que conseguem prestar mais atenção nas tristes e terríveis notícias que chegam, têm a oportunidade única de reparar nessa “evolução da espécie”. No meio dessa dor infinita, de casos cuja emoção faz qualquer um chorar (ou querer chorar), em meio a isso tudo, no meio do povo sofrido do Sul do País, vemos pessoas que, mesmo em situação igual ou até pior que os desabrigados de seu Estado, encontram forças para se voluntariar em prol do próximo, tomando 24 horas de seus dias para ajudar das mais diferentes formas, seja agindo, zelando, carregando, limpando, desenterrando ou enterrando, mas presentes e lutando

como heróis estelares ou anjos pousados entre nós, nos mostrando a beleza da mais pura e bela ação do ser humano, a caridade. Não há nem nunca haverá preço que pague isso, nunca encontraremos palavras ou atos que possam retrucar a atitude desses “deuses” que nos lembram como podemos ser se quisermos ser.

Do outro lado - e igualmente decorrente dos atos da mesma mãe do planeta – o País e o mundo testemunham perplexos, atos de vandalismo, saques e atitudes de outros que se aproveitam da “desgraça alheia”, seriam esses a prova definitiva de que temos muito que crescer? Seriam esses os demônios do Sul do País?

NÃO! Esses pobres infelizes de almas ignorantes, desesperados pela perda, enlouquecidos pela dor, cegados pela visão de tanto desespero não são esses tais “demônios”, antes sim, são a prova viva e incontestável de que não existem demônios e sim pessoas desesperadas, seres humanos que precisam, tanto quanto aquele desabrigado que perdeu até a família toda, que lhes seja estendida a mão que os guiem para o caminho por onde a humanidade trilha sua evolução. Esse pobre coitado forçado a ignorância seja pela dor do momento ou pela dor de uma vida inteira de descasos e privações, precisa conhecer aqueles anjos de que falei antes, assistir seus atos, ficar confuso com sua determinação celestial e, por fim, um dia ou em outra hora qualquer, ajudar aquele pobre idoso a aconchegar-se sob um cobertor doado.

Os “anjos e os demônios” de Santa Catarina são exemplos, assim como muitos outros que não nos lembramos no momento, de que temos muito que caminhar e, mais ainda, que não temos o direito de esmorecer!

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